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domingo, 16 de agosto de 2015

ENCHENTE

Chuva

Você começa de mansinho,
Vem encharcando meu cantinho.
Depois se torna insistente,
Molhando o teto da gente.

Oh, chuva, não estrague meu jardim,
Nem tire estas flores de mim.

Pensando bem...
Isso pouca importância tem.
A flor nasce de novo,
Mas a casa de meu povo?
E o berço da criança,
Que ainda está na fiança?

Oh, chuva, conta pra gente,
Isso tudo começou de repente?

Ou há muito vem avisando
Que a Natureza estamos definhando?
Por que tantos sua falta padece,
E outros sua chegada estremece?

Oh, chuva, por mim tão aclamada,
Vague por outra estrada,
Cujo solo árido lhe espera,
Como se fosse uma quimera...
Aqui a gente suporta,
Que chegue meia e volta,

Mas o pobre da favela
Que precisa fazer pinguela?
Dê uma volta a mais,
Pois pra você tanto faz.
Se no mar vai desaguar
E salgada vai ficar...


São preces de quem precisa,
Por que fica tão indecisa?
Famílias perdem seus entes
E você continua indiferente,
Às vítimas de sua corrente!

Eu sei, não depende de você
Essa água poder conter.
Foi o homem, incrédulo da ciência,
Sabendo disso, não tomou consciência!

Oh, chuva, o que podemos ainda fazer,
Para de seu bem merecer???

(Mel 11/01/2011)

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